Wednesday, March 11, 2009

Tem gente demais mandando na gente

No silêncio que caiu sobre as feministas, aborto virou assunto proibido. Em alguns momentos, por questões políticas estratégicas. A aprovação de uma lei liberando de vez a prática de aborto no Brasil é impossível. Não há consenso na sociedade sobre isso. A lei não passa no Congresso. Então, alguns grupos feministas optaram por ações táticas para ampliar a abrangência dos casos já permitidos em lei, o chamado aborto legal. Algo como ir comendo o mingau pelas bordas. Tudo para não assustar os antiaborto enfurecidos e babentos. Outra mudança de tática foi transformar o aborto em questão de saúde pública, retirando-lhe o caráter de gênero. É o que faz o presidente Lula, sabe-se lá se de forma consciente. Acho que não. Ele diz que é contra o aborto, mas o defende como forma de garantir a saúde da mulher. Ele retira da discussão qualquer caráter feminista da medida. Fica sendo uma discussão sobre uma cirurgia, um procedimento hospitalar. Assim, Lula lava as mãos e fica bem com a galera. Dá para entender a mudança de tática de atuação, mas não o silêncio. O aborto é uma questão de direito das mulheres, sim, da sua possibilidade de decidir sobre o próprio corpo. Nenhum homem, nenhuma igreja, nenhum governo deveria ter soberania sobre o corpo feminino. Aquele religioso ignorante que excomungou o pessoal de Pernambuco não tem o direito de obrigar uma mulher a ter um filho que ela não queira. Simples assim. Ponto. O máximo que os grupos religiosos podem fazer é pedir às suas seguidoras, recomendar a elas que não façam aborto. Exigir e mandar, nunca. Já tem gente demais mandando na gente.

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