Monday, March 23, 2009
Wednesday, March 11, 2009
Bar de mau gosto
No bairro do Itaim Bibi, tem um bar com mesas no formato de (pasmem!) tábuas de passar roupas. Estão colocadas na calçada, com a parte mais larga, onde descansam os ferros, encostada na parede do bar. A parte mais fina avança sobre o pavimento. De um lado e de outro da mesa, banquinhos. Não é uma falta de gosto?. Tive calafrios! Não gosto nem de ver tábua de passar roupa. É instrumento medieval de tortura. Deviam proibir a fabricação da coisa.
Tem gente demais mandando na gente
No silêncio que caiu sobre as feministas, aborto virou assunto proibido. Em alguns momentos, por questões políticas estratégicas. A aprovação de uma lei liberando de vez a prática de aborto no Brasil é impossível. Não há consenso na sociedade sobre isso. A lei não passa no Congresso. Então, alguns grupos feministas optaram por ações táticas para ampliar a abrangência dos casos já permitidos em lei, o chamado aborto legal. Algo como ir comendo o mingau pelas bordas. Tudo para não assustar os antiaborto enfurecidos e babentos.
Outra mudança de tática foi transformar o aborto em questão de saúde pública, retirando-lhe o caráter de gênero. É o que faz o presidente Lula, sabe-se lá se de forma consciente. Acho que não. Ele diz que é contra o aborto, mas o defende como forma de garantir a saúde da mulher. Ele retira da discussão qualquer caráter feminista da medida. Fica sendo uma discussão sobre uma cirurgia, um procedimento hospitalar. Assim, Lula lava as mãos e fica bem com a galera.
Dá para entender a mudança de tática de atuação, mas não o silêncio. O aborto é uma questão de direito das mulheres, sim, da sua possibilidade de decidir sobre o próprio corpo. Nenhum homem, nenhuma igreja, nenhum governo deveria ter soberania sobre o corpo feminino. Aquele religioso ignorante que excomungou o pessoal de Pernambuco não tem o direito de obrigar uma mulher a ter um filho que ela não queira. Simples assim. Ponto. O máximo que os grupos religiosos podem fazer é pedir às suas seguidoras, recomendar a elas que não façam aborto. Exigir e mandar, nunca. Já tem gente demais mandando na gente.
Monday, March 9, 2009
Dona de casa de araque
Vocês já notaram que as mulheres que A-DO-RAM ser donas de casa nunca pegam no pesado? Elas têm várias empregadas - outras mulheres, claro - para fazer o serviço que elas dizem ser MA-RA-VI-LHO-SO fazer. E as que defendem famílias grandes, muitos filhos, o exercício contínuo da procriação? Ah, essas vivem cercadas de babás - sempre mulheres, claro. Levam as babás até para as férias na praia. É tão nobre! O papel de esposa e mãe é tão edificante quando podemos pagar outras pessoas (mulheres, de preferência) para fazer o serviço pesado de lavar latrinas e fraldas sujas de cocô, né não? Mas, vem cá: vocês acham, sinceramente, que alguém curta lavar latrinas e fraldas sujas de cocô?
Mulheres românticas
Tenho calafrios quando os homens mandam avisar que adoram mulheres românticas. Ah, eu sei logo o que eles querem. Uma esposinha que lhes prepare o almoço fumegante, ofereça-lhes um uísque com gelo quando chegam cansados do trabalho, faça massagens nas costas, fale baixo e manso e ainda chore ao ouvir uma música de Roberto Carlos. Bem, vocês sabem o que está por traz da expressão romântica - é a boazinha, a songa-monga. Coitados, estão sonhando. Essa mulher é um caso típico de 171. Manda no caro até não poder mais. Já notaram? Todas as moças com esse jeitinho romântico, de freira enclausurada, são grandes manipuladoras. E eles, coitados, se acham por cima da carne seca. Bem, eu diria que o homem idiota e a mulher-songa-monga se merecem até que a morte os separe. A morte dele, claro.
Friday, March 6, 2009
Gorjeta para mulheres?
Tenho muita dificuldade em dar gorjetas. Sinto-me constrangida. Pra mim, é uma forma de corrupção. Uma corrupçãozinha diária para a qual fechamos os olhos. Ela justifica e eterniza a grande corrupção, a dos outros, dos políticos, dos governos. É, nós nunca somos corruptos. Corruptos são eles. Costumamos justificar as gorjetinhas com o argumento de que se trata de agradecimento pelo trabalho recebido. Se fosse assim natural dar dinheirinho extra, por que damos gorjeta às escondidas? No salão de beleza, no estacionamento, no supermercado, pagamos a mais por baixo do pano, enfiando o dinheiro no bolso do outro. Discretamente, claro. No fundo, no fundo, estamos comprando a esperança de sermos mais bem atendidos (quem sabe na frente dos outros) na próxima. Uma vez vi uma vovó passar uma graninha para o açougueiro. Ela estava agradecendo o cara? Nada. Estava garantindo o melhor da peça de patinho do dia seguinte. E a vovó ainda acha que a corrupção está em Brasília. Assim, se dar gorjeta a homens já me incomoda, imagine dar gorjeta para uma moça. Mulheres me parecem incorruptíveis. Ontem, no supermercado, uma mocinha me ajudou a empacotar as comprar e levou-as até o meu carro. Fiquei sem graça em dar dinheiro a ela. Podia ofender.
Comemorar o quê?
Não sei o que há para comemorar no Dia da Mulher. Olho ao redor e só vejo demonstrações de machismo e preconceito nessas festas. Tratam-nos como mulherzinhas, coitadinhas e idiotinhas. Enchem-nos daqueles elogios hipócritas - vocês são a força do mundo, o alicerce das famílias - e ainda esperam que nos sintamos homenageadas. Enquanto isso, ganhamos menos que os homens, bancamos o trabalho doméstico, a educação dos filhos e a roupa lavada. E ainda querem que sejamos muito agradecidas!!!???
Veja só este exemplo. Alguns jornais trouxeram esta semana encarte especial das Casas Pernambucanas para o Dia da Mulher. O encarte traz ofertas de produtos de cama, mesa e banho com preços mais baixos para elas. Há conjuntos de copos de cristal, baixelas de prata, panelas de inox, taças para sorvetes.
Parece lindo, né? Tremenda enganação.A mensagem subliminar da propaganda diz que lugar de mulher é no lar, cozinhando e lavando pratos. E se fosse anúncio para homens? Ahhhh... haveria ofertas de celulares e computadores. Para mulheres, panelas.
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