Tuesday, June 22, 2010
Nós, os alienados da Copa, é que somos felizes.
Não me sinto mais tão só nos dias de jogo do Brasil na Copa do Mundo. Descobri milhares de pessoas por aí que, como eu, preferem fazer coisas úteis e proveitosas durante os jogos. É um precioso tempo livre, coisa rara na correria das semanas. Dá pra fazer tanta coisa, como dirigir pelas ruas vazias e silenciosas, ver a cidade e seus loucos, ler um livro, escrever um livro, cuidar das plantas, brincar com o cachorrinho ou o gatinho, rolar e rir com o bebê na cama. E dormir, então? É é o máximo! Tem gente que até prefere trabalhar. Sim, gente que ama o que faz e não tá nem aí pros jogos. Êta mundo bão esse, o dos alienados da Copa do Mundo!
Tuesday, June 15, 2010
Bendita Copa!
Pelo menos, pra uma coisa a Copa serviu: deu pra dirigir de volta pra casa com as janelas do carro abertas. Até os bandidos que atacam de moto estavam na frente da TV.
Poderíamos ser um outro país
Fiquei pensando em que país seríamos se usássemos todo o dinheiro das horas não trabalhadas, dos produtos não vendidos e das tarefas inconclusas, todo o esforço coletivo para voltar correndo pra casa, toda a torcida, a alegria, a euforia e todo o nacionalismo em algo útil, nobre e produtivo em vez de gastar tudo isso em uma bosta de jogo de futebol. Sim, que país seríamos se isso fosse possível?
Friday, March 26, 2010
Um pouco de silêncio político nos fará bem
Analistas políticos e marqueteiros torcem o nariz para o perfil técnico de Dilma Roussef e José Serra. Dizem, fazendo cara de quem comeu e não gostou, que os dois são frios. Não passam emoção. Parecem gerentões. Eles não são - vá lá - carismáticos. Quem diz disso dos dois enche o peito como se estivesse mandando o pior adjetivo contra um candidato a presidente. Eu, ao contrário da geléia geral, acho ótimo termos dois candidatos sem carisma. Nos últimos anos, tivemos uma overdose do carisma de Lula. O Lula é onipresente. Está em todos os momentos da nossa vida. Fala até de calo no dedo mindinho. Há uma campanha insuportável de massificação de sua imagem. Ele aparece mais do que o Mao naqueles velhos cartazes da China comunista. O pai, o Deus, o santo. Não é mera coincidência. Não aguento mais ligar o rádio e ouvir o Lula falar. Sim, porque ele fala muito, todo dia, toda hora, sobre tudo, sobre todos. E dá-lhe Lula falando; dá-lhe Lula viajando; dá-lhe Lula fazendo isso e aquilo. Arrre...Chega! Fomos (e estamos sendo) submetidos a um bombardeio de Lula. Até a imprensa, que Lula tanto ofende, faz o jogo dele, dando bola e espaço pra tanta asneira. Então, seja Dilma ou Serra, será um alívio termos um pouco de silêncio político por aqui. Quem sabe, assim, possamos tomar decisões baseadas em discussões técnicas e estudos sérios e competentes. Carisma demais dá cansaço emocional. O Brasil precisa de um pouco de serenidade. Vai dar até pra ouvir rádio.
Wednesday, March 24, 2010
O que leva essa gente a acompanhar o julgamento do casal Nardoni por 24 horas?. O que os leva a disputar senhas para entrar na sala do juri? O que os leva a se deleitar com os detalhes sobre machucados, gotas de sangue, a dor, o jeito, a cor, a forma da morte da menina? Estão todos ansiosos por mais um detalhe dos peritos, mais uma descrição dos ossos quebrados, mais uma maquete que reproduza a queda do corpo sobre o concreto. E quanto mais ouvem mais se chocam; e quanto mais se chocam mais querem ouvir e ler sobre o crime. Sanguessugas da tragédia humana, querem mais sangue, mais fotos, mais informes técnicos, mais minúcias, mais, mais. Querem sofrer mais. Ah, e como curtem sofrer, chocar-se com a crueldade do crime e com a insensibilidade dos criminosos. Regozijam-se com a maldade dos réus. Ao mesmo tempo, adoram posar de cidadãos inconformados. Diante da câmaras, choram, e se descabelam, e se dizem revoltados. Para justificar tanto prazer com a atrocidade, para legitimizar a curiosidade mórbida pela dor do outro, usam argumentos como justiça e solidariedade. Assim, sentem-se perdoados pela mesquinhez de seus sentimentos mais íntimos. E vamos todos dormir com a consciência tranquila.
Tuesday, March 9, 2010
Por uma agenda feminista
O Dia Internacional da Mulher, de tão babaca, já nem marece comentários. Ficaríamos melhor sem ele. Este ano, então, foi de matar. As comemorações, de uma forma geral, só falaram de saúde da mulher Foi um tal de inaugurar hospital, serviço novo, atendimento especial, como se fôssemos um pedaço de carne doente. A Prefeitura de São Paulo superou-se: promoveu um debate sobre sexualidade e, depois, realizou testes de HIV gratuitamente. Há uma abordagem enviesada e atrasada dos poderes públicos que só vê as mulheres pelo prisma da saúde. Acredita-se que as mulheres das camadas sociais mais baixas - que são o foco dessas políticas - têm necessidades mais urgentes do que discutir sexo e prazer. Então, da-lhe exame pré-natal e mamografia de graça. Trata-se de uma abordagem preconceituosa e reducionista, mas conveniente para manter as mulheres desinformadas.! Independentemente de classe social, todas temos DIREITO E NECESSIDADE de discutir questões como a posição da mulher na sociedade, a desigualdade no mercado de trabalho, o controle sobre o próprio corpo, o direito ao prazer sexual, ao amor e à beleza. Trataram as mulheres como burras, incompetentes e desprovidas de capacidade de pensar e sentir além da cólica menstrual. Despolitizaram os temas que poderiam realmente fazer diferença na conquista dos direitos das mulhers. Está faltando uma agenda feminista neste país.
Friday, February 5, 2010
Enlouqueci
Ontem passei cinco horas dentro do carro. E enlouqueci. Saí do trabalho às 16h30. Esperei na rua por uma hora até que a chuva passasse. E resolvi seguir viagem, porque não aguentava mais fazer hora em shopping center para escapar do trânsito. Perdi a conta dos filmes que já assiti enquanto esperava o trânsito melhorar. Achei que, se enfrentasse duas horas de congestiamento, ainda sairia no lucro: 8 horas da noite estaria em casa.
Levei quatro horas – mais uma de espera, e eu passei cinco horas contínuas no carro, sentadinha, indo e parando, indo e parando, motos cruzando de todos os lado, cruzamentos entupidos, faróis desligados, chuva, gente, bicicleta, carro, carro, carro. A certa altura, comecei a chorar. E chorei duas horas seguidas. Não dá mais, não é? Não dá mais! Chorei de ódio, de raiva, de infelicidade, de impotência com essa vida idiota, com essa cidade maldida, com esse maldito clima, com esse monte de carros de imbecis nas ruas, com esse sofrimento filhadaputa, com essa falta de esperança, com essa sem-saída – do trântido e da bosta da vida cotidiana.
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