Friday, January 29, 2010
Ué, cadê o pai?
Na primeira entrevista em que menciona o nascimento do primeiro filho, a modelo Gisele Bundchen não falou do pai da criança nenhuma vez. Falou das mamadas, das noites sem dormir, da gravidez, do desejo de adotar outro filho, contou que não tem babá, mas do maridão (quem é ele mesmo?), nenhuma palavra, nadica de nada. Aliás, nem o repórter perguntou. Dá a impressão de que esse bebê só tem mãe ou nasceu de chocadeira. O pai não participa? Não troca fralda? Não está presente? Não acorda de noite para ajudar? Depois as mulheres ficam reclamando que os maridos não fazem nada, não ajudam, não isso, não aquilo. Também pudera. São tratados como meros fornecedores de esperma - e olhe lá. Assim, que homem vira pai?
Wednesday, January 27, 2010
O que é um herói?
Impossível não associar a imagem dos caixões dos militares mortos no Haiti, enfileirados e cobertos com a bandeira brasileira em Brasília, com as homenagens dos Estados Unidos aos seus mortos de guerra, qualquer guerra. Chegamos lá, ao primeiro mundo. Temos nossos próprios heróis militares. E mortos. Os brasileiros se sentiram grandes, fortes, orgulhosos.
Nossos heróis são melhores do que os deles. Os nossos são do bem. Morreram fazendo o bem. Merecem ser heróis. Não era uma guerra de matança, como as americanas, mas uma guerra do lado certo. Sim, porque o Brasil é muito bonzinho. Os brasileiros querem seus heróis, mas os querem bonzinhos, do lado certo, cuidando do pobres e sofredores.
Bem, mas que diferença faz? Estão mortos, não é? São heróis porque morreram. Aliás, só descobrimos que eles existiam depois de mortos. Nacionalismo besta. Herói só é herói se morrer, perder um perna, arrancar um braço, furar o olho.
Wednesday, July 15, 2009
Portas do feminismo
Quando você entra em algum lugar, quem abre a porta? Já prestou atenção nesse detalhe? É você, seu namorado ou uma amiga? Portas desempenham papel fundamental nesse mundo de homens, mulheres e poder.
Trabalho num lugar onde as portas são muito pesadas, de aço. Há tempos observo que, quando estou acompanhada de alguma colega de trabalho e estamos caminhando lado a lado para entrarmos, ela para quando chegamos à porta. Coloca-se ao meu lado, meio na diagonal entre eu e a porta, e espera. É, espera. Espera que eu lhe abra a porta, oras. E eu abro. Uma após outra, dando-lhe passagem.
A coisa foi me cansando. Já houve momentos em que eu fiz a mesma coisa: parei diante das portas, deixei a colega passar por mim e esperei, de braços cruzados, como ela havia feito comigo na porta anterior. Ficamos alí, nós duas, uma olhando para a outra, sem que alguém se dignasse a abrir a porta. Foram longos segundos de indecisão. Eu me esforcei para não abrir a porta, confesso.Finalmente, a outra cedeu e abriu a dita cuja para eu passar. Do lado de lá, continuamos a caminhar lado a lado, retomando a conversa de antes.
Fico me perguntando se ela percebeu o lançe, a disputa entre nós naqueles poucos segundos para ver quem abriria a porta. Talvez não, talvez sim. Uma delas, a quem eu pedi que, por gentileza, carinho e amizade, também abrisse portas para mim de vez em quando alegou dores nas costas para se esquivar de abrí-las. Portanto, ela fazia de propósito: colocava-se numa posição de espera para que lhe abrissem as portas. Eu passei a evitar a companhia dela quando há portas entre nós. Amigas abrem portas umas para outras, acredito.
Que mulheres são essas que sempre esperam que alguém lhes abra a porta? Imagino que sejam mulheres acostumadas a ter um homem do lado. Casadas há muito tempo ou parceiras de homens que adoram abrir portas. Elas, princesinhas. E eles, servos treinados para abrir as portas para as mulheres. Deve ser uma coisa automática, de criação, sei lá.
Será que é isso que faz os homens se sentirem tão perdidos com relação às mulheres? Eles estranham aquelas que não se colocam de lado para que eles lhes abram as portas?.Se não abrem portas não sabem mais como lidar com as mulheres? E é por isso que elas, as princesinhas, esperam que até outras mulheres lhes abram as portas? E é por isso também que as independentes sempre abrem as portas para os outros?
Ah, as portas....
Thursday, June 18, 2009
Silêncio perturbador
O fim da exigência de diploma para o exercício da profissão de jornalista, decidido pelo STF, inicia um longo período de escuridão e ameaça à democracia. O silêncio ficou mais profundo.
Tuesday, May 26, 2009
O valor da competência
A derrota da ministra Ellen Gracie para um alto posto jurídico na Organização Mundial do Comércio (OMC) é didática sobre os valores hoje em prática no Brasil. Para sustentar a indicação, o Itamaraty utilizou critérios políticos de gênero e ignorou a falta de preparo técnico da ministra para a função. Ellen Gracie é uma profissional competentíssima, mas não tem qualificação em questões de comércio internacional. Ou, pelo menos, não tem a mesma qualificação dos outros concorrentes ao posto. O Itamaraty passou por cima dessa falha e justificou a indicação da ministra com argumentos tupiniquins. Disse que ela seria a primeira mulher a ocupar a posição. Também alegou que a falta de conhecimento técnico da ministra traria um olhar inovador ao tema dentro do órgão. Ora, faça-me o favor!! Argumentos como esses justificam a indicação de imbecis para postos públicos no Brasil, mas não é assim no resto do mundo. Ainda há lugares onde o mérito tem valor.
Sou eu que pago
Eu queria, mesmo, é saber que plano de saúde tem a ministra Dilma Roussef, que dá direito a transporte de urgência em avião particular, internação no Hospital Sirio Libanês e atendimento médico constante dos papas da oncologia no Brasil. A ministra integra um governo cujo discurso oficial é de porrete na elite, mas a prática é de desfrute dos benefícios dela na maior cara-de-pau. Aos idiotas, a conta.
Friday, April 24, 2009
Com o meu dinheiro, não
Achei tão fofo os deputados lamentarem a ausência das esposas em Brasilia se for confirmado o corte de passagens aéreas patrocinadas pela Câmara. Pareciam sinceramente tristes. Alguns mais afoitos garantiram que tanta separação pode dar em divórcio. Tão lindo, né não? Se o amor é tão grande, o deputado que pague a passagem da patroa, ora essa.
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