Wednesday, July 15, 2009

Portas do feminismo

Quando você entra em algum lugar, quem abre a porta? Já prestou atenção nesse detalhe? É você, seu namorado ou uma amiga? Portas desempenham papel fundamental nesse mundo de homens, mulheres e poder. Trabalho num lugar onde as portas são muito pesadas, de aço. Há tempos observo que, quando estou acompanhada de alguma colega de trabalho e estamos caminhando lado a lado para entrarmos, ela para quando chegamos à porta. Coloca-se ao meu lado, meio na diagonal entre eu e a porta, e espera. É, espera. Espera que eu lhe abra a porta, oras. E eu abro. Uma após outra, dando-lhe passagem. A coisa foi me cansando. Já houve momentos em que eu fiz a mesma coisa: parei diante das portas, deixei a colega passar por mim e esperei, de braços cruzados, como ela havia feito comigo na porta anterior. Ficamos alí, nós duas, uma olhando para a outra, sem que alguém se dignasse a abrir a porta. Foram longos segundos de indecisão. Eu me esforcei para não abrir a porta, confesso.Finalmente, a outra cedeu e abriu a dita cuja para eu passar. Do lado de lá, continuamos a caminhar lado a lado, retomando a conversa de antes. Fico me perguntando se ela percebeu o lançe, a disputa entre nós naqueles poucos segundos para ver quem abriria a porta. Talvez não, talvez sim. Uma delas, a quem eu pedi que, por gentileza, carinho e amizade, também abrisse portas para mim de vez em quando alegou dores nas costas para se esquivar de abrí-las. Portanto, ela fazia de propósito: colocava-se numa posição de espera para que lhe abrissem as portas. Eu passei a evitar a companhia dela quando há portas entre nós. Amigas abrem portas umas para outras, acredito. Que mulheres são essas que sempre esperam que alguém lhes abra a porta? Imagino que sejam mulheres acostumadas a ter um homem do lado. Casadas há muito tempo ou parceiras de homens que adoram abrir portas. Elas, princesinhas. E eles, servos treinados para abrir as portas para as mulheres. Deve ser uma coisa automática, de criação, sei lá. Será que é isso que faz os homens se sentirem tão perdidos com relação às mulheres? Eles estranham aquelas que não se colocam de lado para que eles lhes abram as portas?.Se não abrem portas não sabem mais como lidar com as mulheres? E é por isso que elas, as princesinhas, esperam que até outras mulheres lhes abram as portas? E é por isso também que as independentes sempre abrem as portas para os outros? Ah, as portas....

Thursday, June 18, 2009

Silêncio perturbador

O fim da exigência de diploma para o exercício da profissão de jornalista, decidido pelo STF, inicia um longo período de escuridão e ameaça à democracia. O silêncio ficou mais profundo.

Tuesday, May 26, 2009

O valor da competência

A derrota da ministra Ellen Gracie para um alto posto jurídico na Organização Mundial do Comércio (OMC) é didática sobre os valores hoje em prática no Brasil. Para sustentar a indicação, o Itamaraty utilizou critérios políticos de gênero e ignorou a falta de preparo técnico da ministra para a função. Ellen Gracie é uma profissional competentíssima, mas não tem qualificação em questões de comércio internacional. Ou, pelo menos, não tem a mesma qualificação dos outros concorrentes ao posto. O Itamaraty passou por cima dessa falha e justificou a indicação da ministra com argumentos tupiniquins. Disse que ela seria a primeira mulher a ocupar a posição. Também alegou que a falta de conhecimento técnico da ministra traria um olhar inovador ao tema dentro do órgão. Ora, faça-me o favor!! Argumentos como esses justificam a indicação de imbecis para postos públicos no Brasil, mas não é assim no resto do mundo. Ainda há lugares onde o mérito tem valor.

Sou eu que pago

Eu queria, mesmo, é saber que plano de saúde tem a ministra Dilma Roussef, que dá direito a transporte de urgência em avião particular, internação no Hospital Sirio Libanês e atendimento médico constante dos papas da oncologia no Brasil. A ministra integra um governo cujo discurso oficial é de porrete na elite, mas a prática é de desfrute dos benefícios dela na maior cara-de-pau. Aos idiotas, a conta.

Friday, April 24, 2009

Com o meu dinheiro, não

Achei tão fofo os deputados lamentarem a ausência das esposas em Brasilia se for confirmado o corte de passagens aéreas patrocinadas pela Câmara. Pareciam sinceramente tristes. Alguns mais afoitos garantiram que tanta separação pode dar em divórcio. Tão lindo, né não? Se o amor é tão grande, o deputado que pague a passagem da patroa, ora essa.

Thursday, April 9, 2009

A prostituta enamorada não existe

Jorge Amado contribuiu para difundir a fantasia masculina da prostituta amorosa. Em seus romances, há a puta-mãe, que inicia o garoto nos prazeres do sexo. Ou a puta-amante, que supre a falta de sexo fogoso com a esposa-santa. As prostitutas de Jorge Amado sabem dar lições de moral, são conhecedoras dos segredos da vida, dão conselhos, são todas-ouvidos para os seus fregueses. E, acima de tudo, as putas de Jorge Amado se apaixonam pelos seus homens, elas gozam e gostam do que fazem com eles na cama. Homens, lamento desiludí-los, mas não é nada disso. As prostitutas têm nojo dos homens com quem se deitam. E têm nojo de si mesmas por se deitarem com vocês por dinheiro. Tirem da cabeça essa idéia fantasiosa de que elas gostam do que fazem. Não há nada mais humilhante para uma mulher do que dormir com alguém por dinheiro. Mesmo que seja por muito dinheiro. Dá para suportar e fingir e tolerar e aguentar. Mas gostar, curtir e ter prazer. Ah, isso, nuca. Esqueçam.

Prostituição não é profissão

Fico ofendida quando vejo o Daspu reivindicar o reconhecimento da profissão de prostituta. Ser puta na vida parece a coisa mais natural do mundo, tão legal, tão moderno, certo? Certo uma ova. Ser puta não é profissão. É humilhação. Fazer sexo por dinheiro é uma agressão profunda às mulheres, à nossa alma e ao que temos de mais sagrado, nosso corpo. Só quem não tem nenhuma outra possibilidade de sobrevivência financeira pode se orgulhar de ser puta. Aliás, do fundo do coração, duvido que qualquer uma dessas moças do grupo de orgulhe disso. Elas poderiam dizer algo diferente para o distinto público? Diriam com sinceridade como se sentem ao se deitarem com homens nojentos e gosmentos? Ao barganharem o corpo como costeleta de porco no açougue? Não. Desculpe, mas prostituição não é profissão pra ninguém. É uma relação de poder que representa a exploração do mais fraco, a mulher pobre e desinformada, pelo mais forte, o homem. A criação da tal grife dá às moças do Daspu a esperança de poderem sair dessa vida, vender roupa, talvez virar celebridade no mundo da moda. Elas que não se iludam. Estão sendo instrumentalizadas pelos "modernosos e politicamente corretos" para atacar a tal "elite branca de olhos azuis" representada pela dona da Daslu. Quando não servirem mais, ninguém vai se lembrar delas.