Friday, October 1, 2010

Interrupção circulatória

Se existe uma palavra que deveria sumir da face da terra é trombose. Eu tive um negócio desses na perna e, pior do que a doença, é aguentar o nome da doença. Trombose? É. Trombrose. E o que é uma trombrose? Um trombo na veia. Ficou pior ainda, não ficou? Trombo, trombose, trombada, tromba, troço.... Nào dava para ser alguma coisa... assim... mais delicada, mais fina, mais chique? Por exemplo .... interrupção circulatória. Não seria lindo? Tive uma interrupção circulatória parcial na perna. Isso, sim, é doença. Mas trombose....trombose é horrível. Dói na perna e no ouvido.

Wednesday, September 22, 2010

Deixem o Tiririca concorrer

Podemos não gostar do Tiririca, mas ele tem direito de disputar a eleição. E o povo, de votar nele. Ok, ele é uma piada ambulante, mas... mas e daí? Há muitas por aí. Não precisamos nos preocupar. Quando chegar ao Congresso,Tiririca vai entrar na vala comum das nulidades políticas. Vai acontecer o mesmo com o jogador Marcelinho Carioca e com o pagodeiro Netinho, gente sem preparo político. As celebridades costumam desaparecer no Congresso, engolidas pelo jogo político verdadeiro e pesado. Aquela casa não dá espaço para espertinhos. As raposas velhas vão moer o Tiririca e os outros - eles que não se iludam com o poder. E os parlamentares que Tiririca ajudará a eleger com seus votos? Serão deputados de apenas um mandato, como os eleitos com o famoso Eneas. Onde estão eles agora? Ninguém sabe, ninguém viu. Esse é o destino de Tiririca e seus colegas - o esquecimento.

Friday, August 13, 2010

Eu também quero

Putaquepariu - se eu tiver câncer, eu quero que o governo pague tudo para mim, como está pagando para o presidente Fernando Lugo, do Uruguai, e como já pagou para a Dilma Rousseff e para o Zé Alencar. Ah, se quero. E no Sírio Libanes e com direito a transporte de avião e tudo o que a medicina mais cara proporciona.

Friday, August 6, 2010

Dilma foi um desastre no debate dos candidatos

Gente, vamos combinar que a Dilma foi muito mal no debate dos candidatos a presidente da Band. Mal, não. Um desastre. Ela gaguejou e não disse coisa com coisa. Deixou de terminar frases e fez perguntas incompreensíveis. Como avaliou um petista, tava de bom tamanho: Dilma precisava apenas sobreviver, e sobreviveu. Quem precisava ganhar de lavada era o Serra, pra descontar a diferença entre os dois nas pesquisas. Mas Serra não tinha essa opção. Se fosse pra cima da Dilma, iria ficar parecendo arrogante, um homem daquele tamanho pressionando uma mocinha inocente como a Dilma. Era capaz de ela começar a chorar e acabar posando de vítima. Serra perderia votos em vez de ganhar.

Thursday, July 29, 2010

A razão da popularidade de Lula

Quem ainda não sabe muito bem porque o governo do presidente Lula é tão popular preste atenção nas duas últimas "novidades"- a lei contra as palmadas em crianças e o estatuto do futebol. Tem coisa mais populista e inútil do que essas duas medidas? São decisões que agradam todo mundo, independentemente de ideologica, classe social, gênero ou religião, mas não têm qualquer repercussão prática. Todo mundo é contra bater em criança e todo mundo é a favor da paz nos estádios. Assim, quem iria criticar a iniciativa do governo? Pronto pro presidente. Mas as duas leis não servem pra nada. Há muitos anos bater em criança é crime.E dar tiro e bater em torcedor no estádio e fora dele também dão cadeia há muito tempo. O resto é fumaça para colocar o governo na onda, nas páginas de jornais e revistas, em debates igualmente inúteis e enfadonhos na televisão e no rádio. O presidente Lula é tão popular por isso - especializou-se em criar bobagens que acabam transformadas em discussões aparentemente sérias por um monte de idiotas sem mais nada pra fazer e sem cérebro.

Saturday, July 24, 2010

O Brasil é lindo

Por falar em Copa do Mundo, ninguém tem dúvidas de que a de 2014 vai ser um festival de obras faraônicas, contratos revisados na pressa (sempre pra cima, claro), atrasos e prejuízos imensos - para os contribuintes, certamente. Ninguém, mas ninguém mesmo, acredita que os orçamentos das obras serão realistas, executados e pagos dentro da lei. Pior: todo mundo espera que seja assim, que seja um festival de corrupçao e roubalheira, como se fosse um evento inevitável e inexorável, coisa de brasileiro. Ninguém dá bola pra isso, ninguém toma providências, ninguém exige um mínimo de respeito pelo dinheiro público. O Brasil não é lindo? .

Tuesday, June 22, 2010

Nós, os alienados da Copa, é que somos felizes.

Não me sinto mais tão só nos dias de jogo do Brasil na Copa do Mundo. Descobri  milhares de pessoas por aí que, como eu, preferem fazer coisas úteis e proveitosas durante os jogos. É um precioso tempo livre, coisa rara na correria das semanas. Dá pra fazer tanta coisa, como dirigir pelas ruas vazias e silenciosas, ver a cidade e seus loucos, ler um livro, escrever um livro, cuidar das plantas, brincar com o cachorrinho ou o gatinho, rolar e rir com o bebê na cama. E dormir, então? É é o máximo! Tem gente que até prefere trabalhar. Sim, gente que ama o que faz e não tá nem aí pros jogos. Êta mundo bão esse, o dos alienados da Copa do Mundo!

Tuesday, June 15, 2010

Bendita Copa!

Pelo menos, pra uma coisa a Copa serviu: deu pra dirigir de volta pra casa com  as janelas do carro abertas. Até os bandidos que atacam de moto estavam na frente da TV.

Poderíamos ser um outro país

Fiquei pensando em que país seríamos se usássemos todo o dinheiro das horas não trabalhadas, dos produtos não vendidos e das tarefas inconclusas, todo o esforço coletivo para voltar correndo pra casa, toda a torcida, a alegria, a euforia e todo o nacionalismo em algo útil, nobre e produtivo em vez de gastar tudo isso em uma bosta de jogo de futebol. Sim, que país seríamos se isso fosse possível?

Friday, March 26, 2010

Um pouco de silêncio político nos fará bem

Analistas políticos e marqueteiros torcem o nariz para o perfil técnico de Dilma Roussef e José Serra. Dizem, fazendo cara de quem comeu e não gostou, que os dois são frios. Não passam emoção. Parecem gerentões. Eles não são - vá lá - carismáticos. Quem diz disso dos dois enche o peito como se estivesse mandando o pior adjetivo contra um candidato a presidente. Eu, ao contrário da geléia geral, acho ótimo termos dois candidatos sem carisma. Nos últimos anos, tivemos uma overdose do carisma de Lula. O Lula é onipresente. Está em todos os momentos da nossa vida. Fala até de calo no dedo mindinho. Há uma campanha insuportável de massificação de sua imagem. Ele aparece mais do que o Mao naqueles velhos cartazes da China comunista. O pai, o Deus, o santo. Não é mera coincidência. Não aguento mais ligar o rádio e ouvir o Lula falar. Sim, porque ele fala muito, todo dia, toda hora, sobre tudo, sobre todos. E dá-lhe Lula falando; dá-lhe Lula viajando; dá-lhe Lula fazendo isso e aquilo. Arrre...Chega! Fomos (e estamos sendo) submetidos a um bombardeio de Lula. Até a imprensa, que  Lula tanto ofende, faz o jogo dele, dando bola e espaço pra tanta asneira. Então, seja Dilma ou Serra, será um alívio termos um pouco de silêncio político por aqui. Quem sabe, assim, possamos tomar decisões baseadas em discussões técnicas e estudos sérios e competentes. Carisma demais dá cansaço emocional. O Brasil precisa de um pouco de serenidade. Vai dar até pra ouvir rádio.

Wednesday, March 24, 2010

O que leva essa gente a acompanhar o julgamento do casal Nardoni por 24 horas?. O que os leva a disputar senhas para entrar na sala do juri? O que os leva a se deleitar com os detalhes sobre machucados, gotas de sangue, a dor, o jeito, a cor, a forma da morte da menina? Estão todos ansiosos por mais um detalhe dos peritos, mais uma descrição dos ossos quebrados, mais uma maquete que reproduza a queda do corpo sobre o concreto. E quanto mais ouvem mais se chocam; e quanto mais se chocam mais querem ouvir e ler sobre o crime. Sanguessugas da tragédia humana, querem mais sangue, mais fotos, mais informes técnicos, mais minúcias, mais, mais. Querem sofrer mais. Ah, e como curtem sofrer, chocar-se com a crueldade do crime e com a insensibilidade dos criminosos. Regozijam-se com a maldade dos réus. Ao mesmo tempo, adoram posar de cidadãos inconformados. Diante da câmaras, choram, e se descabelam, e se dizem revoltados. Para justificar tanto prazer com a atrocidade, para legitimizar a curiosidade mórbida pela dor do outro, usam argumentos como justiça e solidariedade. Assim, sentem-se perdoados pela mesquinhez de seus sentimentos mais íntimos. E vamos todos dormir com a consciência tranquila.

Tuesday, March 9, 2010

Por uma agenda feminista

O Dia Internacional da Mulher, de tão babaca, já nem marece comentários. Ficaríamos melhor sem ele. Este ano, então, foi de matar. As comemorações, de uma forma geral, só falaram de saúde da mulher Foi um tal de inaugurar hospital, serviço novo, atendimento especial, como se fôssemos um pedaço de carne doente. A Prefeitura de São Paulo superou-se: promoveu um debate sobre sexualidade e, depois, realizou testes de HIV gratuitamente. Há uma abordagem enviesada e atrasada dos poderes públicos que só vê as mulheres pelo prisma da saúde. Acredita-se que as mulheres das camadas sociais mais baixas - que são o foco dessas políticas - têm necessidades mais urgentes do que discutir sexo e prazer. Então, da-lhe exame pré-natal e mamografia de graça. Trata-se de uma abordagem preconceituosa e reducionista, mas conveniente para manter as mulheres desinformadas.! Independentemente de classe social, todas temos DIREITO E NECESSIDADE de discutir questões como a posição da mulher na sociedade, a desigualdade no mercado de trabalho, o controle sobre o próprio corpo, o direito ao prazer sexual, ao amor e à beleza. Trataram as mulheres como burras, incompetentes e desprovidas de capacidade de pensar e sentir além da cólica menstrual. Despolitizaram os temas que poderiam realmente fazer diferença na conquista dos direitos das mulhers. Está faltando uma agenda feminista neste país.

Friday, February 5, 2010

Enlouqueci

Ontem passei cinco horas dentro do carro. E enlouqueci. Saí do trabalho às 16h30. Esperei na rua por uma hora até que a chuva passasse. E resolvi seguir viagem, porque não aguentava mais fazer hora em shopping center para escapar do trânsito. Perdi a conta dos filmes que já assiti enquanto esperava o trânsito melhorar. Achei que, se enfrentasse duas horas de congestiamento, ainda sairia no lucro: 8 horas da noite estaria em casa. Levei quatro horas – mais uma de espera, e eu passei cinco horas contínuas no carro, sentadinha, indo e parando, indo e parando, motos cruzando de todos os lado, cruzamentos entupidos, faróis desligados, chuva, gente, bicicleta, carro, carro, carro. A certa altura, comecei a chorar. E chorei duas horas seguidas. Não dá mais, não é? Não dá mais! Chorei de ódio, de raiva, de infelicidade, de impotência com essa vida idiota, com essa cidade maldida, com esse maldito clima, com esse monte de carros de imbecis nas ruas, com esse sofrimento filhadaputa, com essa falta de esperança, com essa sem-saída – do trântido e da bosta da vida cotidiana.

Friday, January 29, 2010

Ué, cadê o pai?

Na primeira entrevista em que menciona o nascimento do primeiro filho, a modelo Gisele Bundchen não falou do pai da criança nenhuma vez. Falou das mamadas, das noites sem dormir, da gravidez, do desejo de adotar outro filho, contou que não tem babá, mas do maridão (quem é ele mesmo?), nenhuma palavra, nadica de nada. Aliás, nem o repórter perguntou. Dá a impressão de que esse bebê só tem mãe ou nasceu de chocadeira. O pai não participa? Não troca fralda? Não está presente? Não acorda de noite para ajudar? Depois as mulheres ficam reclamando que os maridos não fazem nada, não ajudam, não isso, não aquilo. Também pudera. São tratados como meros fornecedores de esperma - e olhe lá. Assim, que homem vira pai?

Wednesday, January 27, 2010

O que é um herói?

Impossível não associar a imagem dos caixões dos militares mortos no Haiti, enfileirados e cobertos com a bandeira brasileira em Brasília, com as homenagens dos Estados Unidos aos seus mortos de guerra, qualquer guerra. Chegamos lá, ao primeiro mundo. Temos nossos próprios heróis militares. E mortos. Os brasileiros se sentiram grandes, fortes, orgulhosos. Nossos heróis são melhores do que os deles. Os nossos são do bem. Morreram fazendo o bem. Merecem ser heróis. Não era uma guerra de matança, como as americanas, mas uma guerra do lado certo. Sim, porque o Brasil é muito bonzinho. Os brasileiros querem seus heróis, mas os querem bonzinhos, do lado certo, cuidando do pobres e sofredores. Bem, mas que diferença faz? Estão mortos, não é? São heróis porque morreram. Aliás, só descobrimos que eles existiam depois de mortos. Nacionalismo besta. Herói só é herói se morrer, perder um perna, arrancar um braço, furar o olho.

Wednesday, July 15, 2009

Portas do feminismo

Quando você entra em algum lugar, quem abre a porta? Já prestou atenção nesse detalhe? É você, seu namorado ou uma amiga? Portas desempenham papel fundamental nesse mundo de homens, mulheres e poder. Trabalho num lugar onde as portas são muito pesadas, de aço. Há tempos observo que, quando estou acompanhada de alguma colega de trabalho e estamos caminhando lado a lado para entrarmos, ela para quando chegamos à porta. Coloca-se ao meu lado, meio na diagonal entre eu e a porta, e espera. É, espera. Espera que eu lhe abra a porta, oras. E eu abro. Uma após outra, dando-lhe passagem. A coisa foi me cansando. Já houve momentos em que eu fiz a mesma coisa: parei diante das portas, deixei a colega passar por mim e esperei, de braços cruzados, como ela havia feito comigo na porta anterior. Ficamos alí, nós duas, uma olhando para a outra, sem que alguém se dignasse a abrir a porta. Foram longos segundos de indecisão. Eu me esforcei para não abrir a porta, confesso.Finalmente, a outra cedeu e abriu a dita cuja para eu passar. Do lado de lá, continuamos a caminhar lado a lado, retomando a conversa de antes. Fico me perguntando se ela percebeu o lançe, a disputa entre nós naqueles poucos segundos para ver quem abriria a porta. Talvez não, talvez sim. Uma delas, a quem eu pedi que, por gentileza, carinho e amizade, também abrisse portas para mim de vez em quando alegou dores nas costas para se esquivar de abrí-las. Portanto, ela fazia de propósito: colocava-se numa posição de espera para que lhe abrissem as portas. Eu passei a evitar a companhia dela quando há portas entre nós. Amigas abrem portas umas para outras, acredito. Que mulheres são essas que sempre esperam que alguém lhes abra a porta? Imagino que sejam mulheres acostumadas a ter um homem do lado. Casadas há muito tempo ou parceiras de homens que adoram abrir portas. Elas, princesinhas. E eles, servos treinados para abrir as portas para as mulheres. Deve ser uma coisa automática, de criação, sei lá. Será que é isso que faz os homens se sentirem tão perdidos com relação às mulheres? Eles estranham aquelas que não se colocam de lado para que eles lhes abram as portas?.Se não abrem portas não sabem mais como lidar com as mulheres? E é por isso que elas, as princesinhas, esperam que até outras mulheres lhes abram as portas? E é por isso também que as independentes sempre abrem as portas para os outros? Ah, as portas....

Thursday, June 18, 2009

Silêncio perturbador

O fim da exigência de diploma para o exercício da profissão de jornalista, decidido pelo STF, inicia um longo período de escuridão e ameaça à democracia. O silêncio ficou mais profundo.

Tuesday, May 26, 2009

O valor da competência

A derrota da ministra Ellen Gracie para um alto posto jurídico na Organização Mundial do Comércio (OMC) é didática sobre os valores hoje em prática no Brasil. Para sustentar a indicação, o Itamaraty utilizou critérios políticos de gênero e ignorou a falta de preparo técnico da ministra para a função. Ellen Gracie é uma profissional competentíssima, mas não tem qualificação em questões de comércio internacional. Ou, pelo menos, não tem a mesma qualificação dos outros concorrentes ao posto. O Itamaraty passou por cima dessa falha e justificou a indicação da ministra com argumentos tupiniquins. Disse que ela seria a primeira mulher a ocupar a posição. Também alegou que a falta de conhecimento técnico da ministra traria um olhar inovador ao tema dentro do órgão. Ora, faça-me o favor!! Argumentos como esses justificam a indicação de imbecis para postos públicos no Brasil, mas não é assim no resto do mundo. Ainda há lugares onde o mérito tem valor.

Sou eu que pago

Eu queria, mesmo, é saber que plano de saúde tem a ministra Dilma Roussef, que dá direito a transporte de urgência em avião particular, internação no Hospital Sirio Libanês e atendimento médico constante dos papas da oncologia no Brasil. A ministra integra um governo cujo discurso oficial é de porrete na elite, mas a prática é de desfrute dos benefícios dela na maior cara-de-pau. Aos idiotas, a conta.

Friday, April 24, 2009

Com o meu dinheiro, não

Achei tão fofo os deputados lamentarem a ausência das esposas em Brasilia se for confirmado o corte de passagens aéreas patrocinadas pela Câmara. Pareciam sinceramente tristes. Alguns mais afoitos garantiram que tanta separação pode dar em divórcio. Tão lindo, né não? Se o amor é tão grande, o deputado que pague a passagem da patroa, ora essa.