Friday, April 24, 2009

Com o meu dinheiro, não

Achei tão fofo os deputados lamentarem a ausência das esposas em Brasilia se for confirmado o corte de passagens aéreas patrocinadas pela Câmara. Pareciam sinceramente tristes. Alguns mais afoitos garantiram que tanta separação pode dar em divórcio. Tão lindo, né não? Se o amor é tão grande, o deputado que pague a passagem da patroa, ora essa.

Thursday, April 9, 2009

A prostituta enamorada não existe

Jorge Amado contribuiu para difundir a fantasia masculina da prostituta amorosa. Em seus romances, há a puta-mãe, que inicia o garoto nos prazeres do sexo. Ou a puta-amante, que supre a falta de sexo fogoso com a esposa-santa. As prostitutas de Jorge Amado sabem dar lições de moral, são conhecedoras dos segredos da vida, dão conselhos, são todas-ouvidos para os seus fregueses. E, acima de tudo, as putas de Jorge Amado se apaixonam pelos seus homens, elas gozam e gostam do que fazem com eles na cama. Homens, lamento desiludí-los, mas não é nada disso. As prostitutas têm nojo dos homens com quem se deitam. E têm nojo de si mesmas por se deitarem com vocês por dinheiro. Tirem da cabeça essa idéia fantasiosa de que elas gostam do que fazem. Não há nada mais humilhante para uma mulher do que dormir com alguém por dinheiro. Mesmo que seja por muito dinheiro. Dá para suportar e fingir e tolerar e aguentar. Mas gostar, curtir e ter prazer. Ah, isso, nuca. Esqueçam.

Prostituição não é profissão

Fico ofendida quando vejo o Daspu reivindicar o reconhecimento da profissão de prostituta. Ser puta na vida parece a coisa mais natural do mundo, tão legal, tão moderno, certo? Certo uma ova. Ser puta não é profissão. É humilhação. Fazer sexo por dinheiro é uma agressão profunda às mulheres, à nossa alma e ao que temos de mais sagrado, nosso corpo. Só quem não tem nenhuma outra possibilidade de sobrevivência financeira pode se orgulhar de ser puta. Aliás, do fundo do coração, duvido que qualquer uma dessas moças do grupo de orgulhe disso. Elas poderiam dizer algo diferente para o distinto público? Diriam com sinceridade como se sentem ao se deitarem com homens nojentos e gosmentos? Ao barganharem o corpo como costeleta de porco no açougue? Não. Desculpe, mas prostituição não é profissão pra ninguém. É uma relação de poder que representa a exploração do mais fraco, a mulher pobre e desinformada, pelo mais forte, o homem. A criação da tal grife dá às moças do Daspu a esperança de poderem sair dessa vida, vender roupa, talvez virar celebridade no mundo da moda. Elas que não se iludam. Estão sendo instrumentalizadas pelos "modernosos e politicamente corretos" para atacar a tal "elite branca de olhos azuis" representada pela dona da Daslu. Quando não servirem mais, ninguém vai se lembrar delas.